
Dudy Postado em: 26 de julho/2010
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Dia de vento quente combina com happy hour. Comecei a me movimentar. Primeiro por email, depois por msn e por fim, o celular. E nada! É o fim dos tempos! Nenhuma amiga disponível para uma conversinha descontraída e um brinde de espumante no final da tarde. Logo hoje, no dia free da semana. Dia do futebolzinho do amor. Eu com todo o tempo do mundo para gastar, louca para comemorar o verão em pleno julho, e ninguém! Quanta tristeza... Chega o anoitecer e me sinto como Walt Whithan, “com uma multidão dentro de mim”. Que precisa falar, rir e trocar, o quê farei?
Decido dar um fim a tudo! Um tanto dramática, mas totalmente convicta de que algo precisava mudar em mim. Pego a chave do carro e resolvo ir conferir de perto a História de Sansão. Aquela em que ele perde as forças ao cortar o cabelo. Há tempo pensava em uma mudança radical. Chegou a hora do desapego. Tchau cabelo que me acompanhou por anos, é o seu triste fim! E um novo começo pra mim! (perdoem a rima, rsrs) A cabeleireira mais parecia o Edward Mãos de Tesoura. As mãozinhas funcionavam: tchek, tchek, tchek, era cabelo voando para todos os lados. Daqui a pouco, ela para e diz: Só um minuto, preciso comer uma coisa, comecei a tomar umas boletas para emagrecer e tô meio zureta. - Ai God, pensei: que medo, vou sair daqui careca... ao me recompor, tentei convencê-la a parar com essa bobagem e fazer uma reeducação alimentar. Feito o lanchinho, começa o segundo round e mais cabelo se foi. Resumo da ópera, para quem pensava em algo pelos ombros, passou longe, mas preciso reconhecer: -eu amei! Saí de lá, cheia de pontas e truques para o meu novo corte ultramoderno. Meu happy foi um sucesso! Deu um up no visual, o maridão achou lindo e eu fiquei toda prosa! Descobri no outro dia, que nem sequer senti saudade dos longos que se foram. E que Sansão, só perdeu as forças por que era homem. Se fosse mulher, teria descoberto a chave de uma nova forma de brilhar! ...e se achar! |
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Bonaparte Postado em: 19 de julho/2010
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Bonaparte Jobim, advogado e escritor, nos brinda com um de seus contos. Não podia desprezar a idéia de que ele era especial. Muito especial! As flores do campo que recebi entregues pelo porteiro, ao final da tarde, quando voltei do consultório, não passava de vã tentativa dele de consertar a minha raiva. A sua chegada tinha sido tardia, mais ou menos naquela hora em que o luar começa a lamber a calçada ao se despedir da noite. As flores estavam acompanhadas de um cartão no qual rescendia meu perfume predileto, que, mesclado, se confundia com o cheiro dele: cheiro de macho, dominante. Lia-se na dedicatória: “Falta tu no buquê, flor mais linda!”. Eu sei, sei, concordo, é meio cafona, talvez um pouco piegas, mas é gostoso ser lembrada assim, até mesmo se for mentira. Não, não e não! Agora deu. Mandei-o embora, definitivamente. Não preciso dele. Sou uma quarentona bonita, independente, segura, me garanto sozinha [nem que seja por uns tempos], chega desta muleta afetiva. Não quero mais. Deu. Adeus, Bebeto! Quando o moreno do quinto andar segurou a porta do elevador para eu entrar, senti um tremor que começou na ponta dos pés e correu corpo acima até o último fio dos cabelos: o cara é um arraso. Máquina, 1,80 de beleza pura: puta que pariu! Ele anda no meu bico há horas e, agora, com a noticiada e comentada ausência do Bebeto edifício afora, ele aumentou a carga. Diga-se, a bem da verdade e para não parecer que estou chutando o ex, que o Bebeto na redondeza é unanimidade: da dondoca ao feirante, todos, sem exceção, gostam dele. O desgraçado é bom, tenho que reconhecer [jamais na presença dele]. - Olá! Tudo bem? - Tudo bem! Respondi, sem demonstrar muita convicção. - Acho que vai chover, disse ele.  Ilustração: gettyimages - Dentro do elevador? - Não. Não. Na rua. - Ahhh... - E aí? Solteira? - Não. Nunca fui casada. Não fica de lero-lero que eu não gosto, tu conheces o Bebeto e sabes que ele não era meu marido. Silêncio. O Gardel sentiu a porrada. Não esperava uma de frente assim. Achou que era só chegar. Tá pensando o que. O elevador ainda estava no térreo e eu me senti nas nuvens - dá-lhe Lú!
Melhora a cantoria ou vai vender noutra freguesia, não é assim não. Chegou e levou? Não mesmo, fiquei muito puta com a chegada. Desculpa. É que fiquei nervoso, sou muito afim de ti, me atrapalhei, disse ele, desviando o olhar para apertar o botão do oitavo andar. Melhorou. Veio bem. Gostei mais porque o pedido de desculpas veio acompanhado de um leve rubor nas faces. Ele respondeu meu ataque frontal com uma manobra de recuo, o que sempre funciona quanto mais aliada a uma leve massagem na alta estima ao confessar-se meu admirador. Deu Xeque de Rei na Rainha. Bebeto! Acho que vais dançar amor. - Querido. O meu apartamento é no quarto, no quarto andar. Marca, por favor, disse eu, empunhando sorrateiramente a bandeira branca. - Afinal, vamos, no meu ou no teu apartamento, ele interpretou, dramaticamente, de forma pausada. Bah! Que coisa palha! Pô! O cara é muito ruim, não sabe definir a parada. Se eu não estou em jejum há trinta dias ele dança na hora. - No meu – disse, com a voz rouca, tentando disfarçar. - Posso convidar mais alguém, perguntou sem me olhar, de cabeça baixa. Não. Não acredito. O cara dá uma martelada no prego e outro no dedo. É sonho! Ménage a trois. Estou nas mãos do Bebeto há doze anos. Virou burocracia. É gostoso, mas não dá mais aquela dor gostosa na boca do estomago. Opa! Tenho que ser justa, até na traição: quase sempre dá. Agora, entretanto, estou voltando aos velhos tempos, estou tremendo da cabeça aos pés. Timidamente, engasgada por dentro, entregue, mas como é adequado para uma mulher recatada, do bem, pergunto, balbuciando, mais prá lá do que prá cá! - Macho ou fêmea? - Macho! - É carinhoso? Indago, com as pernas bambas. - Muito, diz ele. Pronto, me matou. É a fantasia maior: Lú versus dois. Um bonito, o outro macho e carinhoso. Bebeto! Bebeto! Sorry baby. - Nome da peça? - Bito. - Bito? ... É apelido? Parece nome de cachorro. - É o meu chihuahua, ganhei da mãe, ele não gosta de ficar sozinho, se estressa, além do mais ele vai gostar de me ver fazer amor. É muito mimoso comigo. Tudo bem para ti? - Genial, respondo, rindo. Venham às nove horas, em ponto. É no 406. Estarei esperando pronta para vocês os dois. São exatamente nove horas, estou no quinto chope. - Paulinho! Trás mais um, direto, com colarinho. Dava um dedo para ver a cara dos dois, dando com os focinhos na porta, ouvindo o som da campainha me buscando pelo apartamento vazio. Rindo, faceira, ligo. - Alô! Bebeto? Adorei as flores. Tu és o fdp mais querido do mundo. Estou no baréco de sempre, mesa do Paulinho, como diz a Adriana “nada mudou”, só aumentou foi a saudade. - E ... Não demora seu merda e, por favor, não me fala em cachorro! |
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Maya Postado em: 12 de julho/2010
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Estou impressionada com a sinceridade que as pessoas estão praticando hoje em dia. E, em nome de toda a franqueza e verdade o povo resolveu abrir o verbo e aproveitar a deixa para soltar alguns monstrinhos guardados a sete chaves dentro de si.  Ilustração: gettyimages O discurso começa, com algumas variações, mais ou menos assim – olha, desculpe a franqueza, mas eu vou ter que falar..., ou então: já que você perguntou, vou dizer com honestidade que.... O restante do discurso é muitas vezes um julgamento, tanto ofensivo como grosseiro e, na maioria dos casos, em vez de ajudar, deixam a criatura, que já estava injuriada da vida, em pior estado!Com uma sensibilidade abaixo de zero, o sujeito ditador de toda sinceridade, deixa rolar uma eloquência verbal das mais puras verdades, porém sem a menor cordialidade. É a lei do: pediu, levou! Acontece que nem tudo na vida é tão estanque assim, a pessoa realmente pede conselhos ou algo do gênero, mas não consegue deglutir os fatos de maneira tão nua e crua. Talvez, com maior moderação, o ideal seria falar as ‘sinceras verdades’, em doses homeopáticas, como a gente gostaria que fossem as visitas das sogras em nossa casa. Então, em nome dos bem-vindos conselhos honestos, o povo tem saído atropelando pessoas com o impacto de um trem descarrilado em alta velocidade. Por favor, falem sempre a verdade, mas digam de um jeito cordial, para que suas palavras, no lugar de irritar, agreguem e, assim, o outro poderá ouvir e digerir o que você tem para falar! |
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Dudy Postado em: 05 de julho/2010
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Hoje é segunda. Nova semana. Novo mês. Novo eu... Metade do ano já se foi. O que fiz? Por onde andei? Tenho a sensação que apenas existi, sem mel, sem fel, sem dor. Que história afinal eu quero escrever? Lá se vão trinta e poucos anos. Final do primeiro tempo. É preciso decidir. Decidir o que se quer e para onde se vai. Ai, é preciso ter colhões pra decidir.
 Ilustração: gettyimages Me perco, me acho, me faço, invento. Me desfaço. Paraliso. Ando em círculos. Avanço e recuo, tenho medo. Afinal, o que quero de mim? Sou confusão. Sou louca. Sou paixão e frustração. Ahh como crescer dá trabalho. Faço e sinto que não fiz. Mudo e me mudo de mim. Volto. Me quero, me deixo, me abandono. De longe, me olho e de novo. Volto. E para onde vou?
Decido ir com o vento. Por favor, não acabem com o meu desejo de voar. Sou um ciclo intermitente. Vou parar e recomeçar quantas vezes precisar.
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Maya Postado em: 28 de junho/2010
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Dizem que as verdadeiras amigas são para toda a vida, eu gostaria que fosse bem mais que isso, que houvesse a certeza que, depois dessa, a gente ainda pudesse se encontrar em algum lugar... Mas, enquanto estamos por aqui, é bom mesmo curtir as amigas do peito, aquelas especiais, que têm a capacidade de escutar com atenção e paciência o que temos pra dizer, ou seja, simplesmente nos ouvir.  Ilustração: gettyimages Mais ou menos como um psicanalista que escuta a paciente, essa amiga especial ouve e vê o que não temos condições de enxergar e assim, pode fazer por nós, o que muitas vezes, não conseguimos fazer por nós mesmas.E ainda, pode muito mais, pois tem a sensibilidade e a cumplicidade de entender profundamente o que está no nosso coração, nossos desejos e anseios mais íntimos, nossas angústias e imperfeições expostas sem termos receios de avaliação, mas sim de compreensão. Claro, as amigas são também pra fazer festa e aproveitar a vida rindo das besteiras uma das outras ou jogando conversa fora. Nesse time a gente tem muitas e todas sempre prontas pra festiar! Porém, a verdadeira é aquela que nos momentos difíceis temos a certeza do seu apoio, a liberdade de ligar no meio da noite e chorar pitangas das nossas mazelas, falar nossos segredos mais indiscretos sem medo de julgamentos imparciais. Assim, mesmo sem o analista, a amiga do peito ilumina a estrada, dá o tom que devemos dançar a música e fala, também, o que nem sempre queremos ouvir. Ok, sei que muitas vezes uma terapia pode ser realmente uma necessidade básica, mas aqui nesse texto, tratamento, só se for para fortalecer a amizade! |
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Dudy Postado em: 24 de junho/2010
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Em Copa do Mundo e DR, todo mundo adora dar palpite e achar a melhor solução. Chutar na trave é quase um crime, a torcida enlouquece. No dia-a-dia a mulherada tem ficado no 0x0 e colocado muita bola na trave. Vasculhando o fórum vemos os mesmos conflitos em diversos endereços. Segue a lista abaixo, quem lembrar de mais algum, publica aí. Vamos reunir a torcida feminina e começar a marcar mais gols, deixando as bolas na trave apenas para a Copa do Mundo, ok?  Ilustração: gettyimages - Reclamar do santo futebolzinho que o faz tão feliz e nos deixa livres para fazer o que bem quiser.- Checar celular – não perca seu precioso tempo com desconfianças, invista em seu amor próprio e com certeza não sentirá mais vontade de chegar perto do bichinho. - Ter senhas de email, orkut etc., pra quê? Ou confia, ou confia, do contrário, manda pastar. A vida sem paz não vale a pena. - Rir junto – tudo já é tão sério, tão difícil... se ele está sendo machista ou engraçadinho, ria, alegria é fundamental. Num outro momento, explique que de tal forma, é mais bacana, blábláblá. - Desculpa para transar – saí dessa e entra no clima. Tudo bem, não está a fim, mas pensa que relaxa, faz bem pra pele e queima calorias... haha. Não precisa uma super perfomance a todo o momento, deixa ele comandar a situação. Mas não esqueça de gozar, seu dia ficará mais colorido. - Táticas de jogo – jamais tente uma DR em meio a um jogo, aprenda sobre a lida e não só sobre a gostosura dos jogadores hehe, se você sair com um 3-5-2 (tática de jogo) é atenção na certa da ala masculina. - Marcação cerrada – ligar para saber onde ele está, o que está fazendo, a que horas vai chegar é de última, quanto mais pegação, mais afastamento. O foco de sua atenção deve ser você, arranje algo urgente para ocupar essa mente mirabolante. - Vuvuzelas – se está a fim de bater um papo, venha para o Preciso Falar, não tente fazer concorrência com o amado futebol, respeite a fissura na bola. Ou... é Bola na Trave! Agora, é com vocês! |
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Maya Postado em: 21 de junho/2010
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Estou tendo um sério problema de ter tolerância comigo mesma. Totalmente sem paciência com as limitações do meu corpo, fico muito irritada com minha incapacidade de fazer o que costuma simplesmente me dar prazer e atirar meu estresse pro beleléu. Tenho o hábito de correr duas ou três vezes por semana e nos dias alternados faço musculação – gosto de tudo isso e meu body já se acostumou a esse ritmo. Parei de sopetão com tudo, assim... meio que no tranco e o meu exercício diário está sendo caminhar dentro do meu apartamento, coisa de enlouquecer até um bom samaritano.
 Ilustração: gettyimages Mas também, por outro lado, como de todo limão a gente tem mais é que fazer uma limonada, o que está acontecendo comigo acaba sendo um belo aprendizado.É um verdadeiro teste de paciência e tolerância tentar manter meu esqueleto em repouso, quando a vontade é de sair pedalando e abanando as tranças por aí. Tudo aconteceu por conta de um raio de uma cama (de madeira maciça e mega-pesada) que resolvi transportar, com a ajuda da minha secretária, para um outro quarto. Vira pra lá, mexe pra cá, troca a cabeceira pelos pés e nada fazia a bendita entrar naquela minúscula porta (para o tamanho gigante da cama). Foi...vira e mexe, a coisa entrou – meio que aos trambolhões, mas entrou! E, pior... o que estava dentro daquele santo quarto, a gente teve que retirar. Uma outra cama (confesso que essa um pouco menor) que descemos escada afora pra chegar ao destino que dei à ela. Foi outra luta danada, porque eu fiquei na parte de cima, segurando o peso todo numa posição meio que inclinada, morrendo de medo que rolasse cama e a Jane ladeira abaixo. Confesso que não tinha noção da força que teria que fazer quando iniciei o programa operacional das mudanças, mas acreditem que nunca mais nessa vida pretendo carregar tanto peso. Simplesmente, sem mais nem menos, quando fui me virar a noite, já deitada para dormir o sono dos justos, fiquei travada e não me mexi mais, foi o quadro dos horrores! Fazer o que? Só repouso, limitações de movimentos e muita medicação para a coisa melhorar... O resultado disso é um upgrade nos exercícios de reflexão e espiritualidade e o teste de praticar minha capacidade de tolerância dentro de meus próprios limites físicos. Agora, é torcer para me curar logo e por minha recém adquirida paciência não se esgotar! |
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Dudy Postado em: 17 de junho/2010
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Aeroporto cheira bem, não só pelos perfumes importados que circundam por lá, mas pelas histórias e expectativas que se renovam a cada instante. Vejo pessoas tão diferentes e fico a pensar que sonho cada uma delas carrega. É uma atmosfera pulsante, extremamente viva, uns chegam, outros passam e alguns vão para nunca mais voltar.  Ilustração: gettyimages Há quem espere o amor de sua vida, há quem realize o sonho europeu, há quem chore na despedida, há quem não chegue nunca. Há narrativas alegres e tristes. Alguns são só expectativa, uns temor, outros puro sonho - tal qual recomeçar a vida em outro país.As histórias ‘avionárias` em sua maioria se repetem, são vistos negados, extravio de malas, confisco de doces de leite a notebooks, uma tristeza geral... O fluxo aéreo cresce velozmente, nunca foi tão fácil viajar, de certa forma houve uma democratização do métier, há quem não goste, há quem não ligue. Por consequência o movimento de pessoas aumenta constantemente, todavia há mais troca, mais inquietações, mais historíolas. Assim os cheiros se diversificam, mas nem de longe perdem a graça. É possível pensar que o aeroporto é um lugar em que se pode espiar o mundo sem levantar vôo. E vocês, o que sentem ao entrar em um aeroporto? |
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Maya Postado em: 14 de junho/2010
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Fiquei bastante impressionada com uma matéria que li recentemente sobre a trajetória de Luiz Tejon Megido, Mestre em Educação, publicitário, escritor e um dos mais conceituados palestrantes do país. A vida do cara foi marcada para sempre quando, com apenas quatro anos de idade, sofreu queimaduras terríveis – sua mãe, fazendo render mais cera no fogão (costume de época), misturou-a com gasolina, prendeu fogo e na tentativa de se livrar da panela em chamas, jogou-a no jardim, o que pegou em cheio o rosto do então garoto Tejon – não fosse o socorro pronto de uma vizinha que assistia a cena, ele não teria sobrevivido. A entrevista conta que ele passou por mais de cem cirurgias no período de oito anos, sendo que atravessou passagens pelo hospital que chegaram a sete meses de internação, lugar onde definiu como seu playcenter, já que não havia outra opção, procurou fazer a sua vida mais amena e feliz dentro do possível.  Ilustração: gettyimages Ao se referir a essa parte de sua biografia, Tejon diz que “... A alegria é um processo que te leva ao êxito, à superação, e somente a tua criança te salva em um processo de superação”.Minha admiração coube também à sua mãe, que pelo meu entendimento do texto, seria uma pessoa bem simples, sem muitos estudos, porém com uma visão pitoresca e sábia sobre a vida. Quando o menino ainda nem se animava a deixar seu quarto, por conta de sua apresentação horrível, a mãe convidou-o para ir à feira e aproveitou para ensinar ao garoto a prestar mais atenção nas batatas: “a batata rosa é boa nisso, a branca para aquilo...”. Na sua decodificação simplista, ela desviava a atenção do filho, enquanto pessoas falavam coisas medonhas sobre e para ele. Com isso, ele aprendeu que teria que fazer alguns enfrentamentos na vida, e quanto mais cedo isso acontecesse, melhor seria e se prestasse atenção ‘às batatas’ conseguiria passar por cima de muitos preconceitos e com o tempo, teria sua casca mais grossa – mais ou menos imune a esse tipo de abuso emocional. Se pensarmos que com o rosto totalmente desfigurado, parecendo mais um monstro do que um humano, o sujeito foi muito mais longe do que muitos bonitinhos com blá,blá,blás que desfilam pela mídia, teremos conquistado alguns ensinamentos preciosos. Como ele mesmo afirma e eu concordo – você tem que sair da sua zona de conforto para crescer – claro que no caso, ele praticamente foi obrigado a isso, mas quando você realmente chacoalha o cabeção e foge da acomodação, tem tudo para desenvolver um ser mais criativo e pensador, o que pode revelar talentos ocultos. A história mostra que a essência da vida, a solução de nossas mazelas, encontramos dentro de nós mesmos e que é preciso abrir nosso espírito para permitir o inusitado, o algo mais, o preenchimento de um vazio meio constante, que estamos sempre buscando. Também é importante a consciência que nada vai garantir que nossas escolhas estarão certas, você sempre é quem decidirá o caminho, mas é somente vivendo a vida, que só se aprende, de alguma forma, também errando! |
| Martha Medeiros Postado em: 10 de junho/2010
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Uma convidada de honra no Preciso Falar. No mural do colégio da minha filha encontrei um cartaz escrito por uma mãe, avisando que estava vendendo tudo o que ela tinha em casa, pois a família voltaria a morar nos Estados Unidos.
O cartaz dava o endereço do bazar e o horário de atendimento. Uma outra mãe, ao meu lado, comentou: - Que coisa triste ter que vender tudo que se tem. - Não é não, respondi, já passei por isso e é uma lição de vida. Morei uma época no Chile e, na hora de voltar ao Brasil, trouxe comigo apenas umas poucas gravuras, uns livros e uns tapetes. O resto vendi tudo, e por tudo entenda-se: fogão, camas, louça, liquidificador, sala de jantar, aparelho de som, tudo o que compõe uma casa.
 Ilustração: gettyimages Como eu não conhecia muita gente na cidade, meu marido anunciou o bazar no seu local de trabalho e esperamos sentados que alguém aparecesse. Sentados no chão. O sofá foi o primeiro que se foi. Às vezes o interfone tocava às 11 da noite e era alguém que tinha ouvido comentar que ali estava se vendendo uma estante. Eu convidava para subir e em dez minutos negociávamos um belo desconto. Além disso, eu sempre dava um abridor de vinho ou um saleiro de brinde, e lá se iam meus móveis e minhas bugigangas. Um troço maluco: estranhos entravam na minha casa e desfalcavam o meu lar, que a cada dia ficava mais nu, mais sem alma. No penúltimo dia, ficamos só com o colchão no chão, a geladeira e a tevê. No último, só com o colchão, que o zelador comprou e, compreensivo, topou esperar a gente ir embora antes de buscar. Ganhou de brinde os travesseiros. Guardo esses últimos dias no Chile como o momento da minha vida em que aprendi a irrelevância de quase tudo o que é material. Nunca mais me apeguei a nada que não tivesse valor afetivo. Deixei de lado o zelo excessivo por coisas que foram feitas apenas para se usar, e não para se amar. Hoje me desfaço com facilidade de objetos, enquanto que se torna cada vez mais difícil me afastar de pessoas que são ou foram importantes, não importa o tempo que estiveram presentes na minha vida... Desejo para essa mulher que está vendendo suas coisas para voltar aos Estados Unidos a mesma emoção que tive na minha última noite no Chile. Dormimos no mesmo colchão, eu, meu marido e minha filha, que na época tinha 2 anos de idade. As roupas já estavam guardadas nas malas. Fazia muito frio. Ao acordarmos, uma vizinha simpática nos ofereceu o café da manhã, já que não tínhamos nem uma xícara em casa. Fomos embora carregando apenas o que havíamos vivido, levando as emoções todas: nenhuma recordação foi vendida ou entregue como brinde. Não pagamos excesso de bagagem e chegamos aqui com outro tipo de leveza. |
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